DESNORTE

Julho 17 2008

 

 

 

 

La muerte del picador - GOYA

 

 

 

 

 

 La cogida y la muerte


A las cinco de la tarde.

Eran las cinco en punto de la tarde.

Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.

Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.

Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.

Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.

Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.

Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.

Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.

Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.

En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.

¡Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.

Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,

cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,

la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.

A las cinco de la tarde.

A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.

Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.

El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.

El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.

A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.

Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.

Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,

y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.

A las cinco de la tarde.

¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

 

 

 

  

 

 

(Interprete: Victor Mallarino)

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 23:38

Junho 18 2008

 

 

 

 

Jangada (Foto Internet)

 

 

 

 

 

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

 

 

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

 

A NOITE QUE ELE NÃO VEIO

FOI DE TRISTEZA PRÁ MIM

SAVEIRO VOLTOU SOZINHO

TRISTE NOITE FOI PRÁ MIM

 

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

 

SAVEIRO PARTIU DE NOITE

MADRUGADA NÃO VOLTOU

O MARINHEIRO BONITO

SEREIA DO MAR LEVOU

 

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

 

NAS ONDAS VERDES  DO MAR MEU BEM

ELE SE FOI AFOGAR

FEZ SUA CAMA DE NOIVO

NO COLO DE IEMANJÁ

 

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

É DOCE MORRER NO MAR

NAS ONDAS VERDES DO MAR

 

 (Dorival Caymmi)

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 22:07

Março 10 2008

 

 

 

 

                             (Mesquita de Córdoba)

 

 

 

 

CANCIÓN DE JINETE

 

Córdoba.

Lejana e sola.

 

Jaca negra, luna grande,

y aceitunas en mi alforja.

Aunque sepa los caminos

yo nunca llegaré a Córdoba

 

Por el llano, por el viento,

jaca negra, luna roja,

la muerte me está mirando

desde las torres de Córdoba.

 

¡ Ay qué camino tan largo !

¡ Ay mi jaca valerosa!

¡ Ay que la muerte me espera!

antes de llegar a Córdoba!

 

Córdoba.

Lejana y sola.

 

Federico García Lorca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 00:47

Outubro 14 2007

 

O grito

(Edvard Munch)

 

 

 

 No meio do caminho

(Carlos Drumond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida das minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

 

 

 

  

 

 

 

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 18:39

Setembro 27 2007

 

 

São Sebastião

(Irmã Teresa do Amor Dvino)

 

 

 

Tocador de Realejo

(Irmã Teresa do Amor Divino)

 

 

Casa de Farinha

 

(Irmã Teresa de Amor Divino)

 DJANIRA MOTTA E SILVA

 

 

 

 

 

 

(Texto de Paulo Victorino) 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
O velório
“Seria um velório como tantos outros que acontecem diariamente na cidade do Rio de Janeiro. No esquife, uma irmã de caridade, vestida com o hábito da ordem que abraçara, cercada de outras irmãs, companheiras do mesmo convento, que, contritas, rezavam pela alma da falecida.
O que chamava a atenção, porém, era o grande número de pessoas que passavam pelo local, em trajes seculares, aparentemente desvinculadas de actividades clericais, mas que compareciam para prestar uma última homenagem àquela religiosa.
Quem seria, pois, esta santa mulher, que parecia ter fora do claustro uma relação de amizades maior do que entre as religiosas que lhe eram íntimas? (…): tratava-se da irmã Teresa do Amor Divino, da Ordem Terceira do Carmo. Essa identificação era a que valia diante da Santa Igreja. Porém, aqui fora, no mundo dos mais comuns mortais, até o dia em que assumiu o voto perante a Ordem, seu nome era Djanira da Mota e Silva, ou, simplesmente, Djanira”
Renunciou à vida e ao nome que conquistara, passando a chamar-se apenas Teresa do Amor Divino, e recebeu as roupas simples usadas no convento. Foi com esse nome e com esse hábito de freira que Djanira morreu, em 31 de Março de 1979. Se sua missão era espalhar à sua volta a beleza, a amizade, o amor e a solidariedade, então, missão cumprida. Descanse em paz. "
publicado por ROSA DOS VENTOS às 23:44

Setembro 09 2007

 

 

 

(Morte de um Miliciano - foto de Robert Capa)

 

 

Cântico negro

(José Régio)


 

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

 

 

 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

 

 

 

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

 

 

 

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

 

 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 17:17

Agosto 25 2007

 

 

 

 

 

 

 

(Mulher junto ao pilão)

Candido Portinari

 

 

 

 

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

 

  

 (Cecília Meireles)

 

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 21:36

Agosto 11 2007

 

 

 

Cinco Moças de Guaratinguetá

(Di Cavalcanti)

 

 

 

 

“Quem já fez amor com um português, ou vai parar aos cuidados cardiovasculares, de tanta emoção, ou descobre por que razão foi, para eles, tão fácil povoar meio mundo…”

 

 

 Ângela Dutra de Menezes, escritora brasileira e autora do livro O Português que nos Pariu, em entrevista à Visão de 9 de Agosto de 2007.

 
 

 Nem o Marquês de Maricá, ilustre pensador brasileiro, era capaz de um pensamento tão profundo.

Sem mais comentários.

 

 

  

 

 

 

publicado por ROSA DOS VENTOS às 00:14

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